‘Caso ela diga não’: PF investiga responsáveis por trend no TikTok

Perfis envolvidos com a publicação viral e materiais com apologia à violência contra as mulheres começaram a ser removidos das redes sociais.

André Luiz Dias Gonçalves

A Polícia Federal (PF) abriu investigação contra a trend “Caso ela diga não” que viralizou no TikTok com a circulação de vídeos fazendo apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres. O pedido foi enviado pela Advocacia-Geral da União (AGU) à corporação no domingo (8).

Conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF, a ação para desarticular o compartilhamento desses conteúdos já levou à derrubada de perfis envolvidos com a divulgação, conforme noticiou o g1 na segunda-feira (9). Vídeos também começaram a ser removidos.

O que é a trend “Caso ela diga não”?

As imagens compartilhadas no TikTok, principalmente, mostram homens simulando reações violentas ao se depararem com a negativa em pedidos de namoro ou casamento. Eles encenam chutes, socos e esfaqueiam manequins que simbolizam a figura feminina.

Esses vídeos são acompanhados de mensagens como “treinando caso ela diga não” ou frases semelhantes, que justificam a violência contra mulheres;
Os conteúdos relacionados à trend circulam desde 2023, pelo menos, no app de vídeos curtos
, e também começaram a se espalhar por outras plataformas;
Na notícia-crime apresentada pela AGU à PF, são identificados ao menos quatro perfis de usuários responsáveis pela publicação de tais materiais;
Segundo o procurador nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), Raphael Ramos, as imagens afetam as ações públicas de promoção e proteção dos direitos das mulheres.

A trend “Caso ela diga não” viralizou no TikTok. (Imagem: Roni Bintang/Getty Images)

“A vítima, nesse contexto, é a coletividade feminina, atingida em sua condição de sujeito de direitos fundamentais, sobretudo quando o conteúdo divulgado assume a forma de incitação à prática de crimes
ou de apologia de fatos criminosos, enquadráveis, em tese, como crimes contra a paz pública”, afirmou, em comunicado.

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Ainda conforme Ramos, a trend pode estimular a prática de crimes previstos no Código Penal, como feminicídio, lesão corporal, intimidação sistemática, ameaça e violência psicológica contra mulheres. Incitação ao crime e apologia de crime ou criminoso são outros ilícitos citados por ele.

PGR também pode entrar no caso

Nesta terça-feira (10), está prevista a votação de um requerimento, na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a trend no TikTok
. A solicitação é do deputado Pedro Campos (PSB-PE).

Segundo o autor do pedido, as publicações virais representam apologia ao crime e atualização do machismo e do patriarcado para o século XXI. Campos defende a punição aos influenciadores e uma investigação mais rígida na infraestrutura das big techs.

O Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025 aponta 6,9 mil vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio
no país, no ano passado, de acordo com dados do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O número representa aumento de 34% em relação a 2024.

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